Eis que está chegando a hora. No próximo dia 29, ocorrerá o lançamento de Raimundo Carrero – A fragmentação do humano. O projeto começou há mais de cinco anos e finalmente será entregue aos leitores.
Confiram no texto de apresentação abaixo.
Raimundo Carrero é um ser humano fragmentado e inquieto diante da vida e de suas incertezas, um Sísifo empurrando sempre para cima da colina o peso da morte. Ele bem sabe e tanto sabe que assim se definiu ao dar o título a este livro que o leitor tem nas mãos, uma obra aberta, ainda em construção, cheia de lacunas e que não se pretende definitiva. Antes, tem o propósito de ser o início de uma vereda, um caminho que leva ao encontro com o autor de uma das obras mais vigorosas da literatura brasileira da segunda metade do século 20 até os dias de hoje. E conhecendo melhor o escritor e o homem, abre janelas para se olhar mais dentro de seus escritos, onde a vida grita.
O percurso de A fragmentação do humano tem início com o projeto em
comemoração aos 30 anos de lançamento de Bernarda Soledade – A tigre do Sertão, obra inaugural de Carrero. O livro deveria ainda estar sendo escrito e atualizado constantemente, pois Carrero continua em plena atividade, embora aqui e ali dando alguns sustos em seus familiares, amigos e leitores. Entre as obras já prontas à espera de publicação estão Os deliciosos peitinhos murchos (contos) e As estratégias do narrador (técnicas narrativas).
O talento de Carrero é reconhecido desde sua estreia e atestado pelos diversos prêmios que recebeu, sendo o mais recente o Prêmio Machado de Assis 2009, da Fundação Biblioteca Nacional, pelo romance Minha alma é irmã de Deus (editora Record 2009), honraria que já havia recebido em 1995 por Somos pedras que se consomem (vencedor também do prêmio APCA).
Obra que encerra a tetralogia Quarteto Áspero, Minha alma é irmã de Deus ganhou uma versão para o cinema (em vídeo digital) com roteiro escrito por Carrero a quatro mãos com a diretora Luci Alcântara, lançada na Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, em 2009, da qual foi homenageado.
O reconhecimento do valor de Carrero não tornou mais fácil a publicação deste livro. Chegou a ser rejeitado em alguns editais de fomento à cultura, sendo finalmente aprovado pelo Sistema de Incentivo à Cultura do Recife, no fim do ano passado, o que permite agora o seu lançamento. O texto sofreu algumas atualizações, mas mesmo ainda já se encontra um pouco defasado, porque o Sísifo pernambucano não se rende.
Carrero disse certa vez: “a vida de um escritor é sempre de desafios, muitos desafios. Primeiro a luta contra a inexperiência, e depois a luta contra a experiência. E a obra de arte nunca acaba. Está sempre exigindo, exigindo muito, consumindo a paz”. Ele persevera, trava sua luta diária com a linguagem, não se deixa vencer pelas dificuldades nem se acomoda, pelo sucesso. “Espero ter ainda uma qualidade: a irresponsabilidade. Eu preciso ser irresponsável, urgentemente. Muita gente me julga irresponsável, descansado, mas Deus sabe o que me custa viver”.