A falta de disciplina para algumas coisas das quais gosto – leitura, assistir filmes e ouvir música – e a preguiça para fazer algumas coisas para quais sou obrigado – andar, por questões de saúde, ou voltar a surfar (depois de quase dez anos) - são duas fraquezas confessas que eu tenho. Sendo assim, vou levando.
Agora mesmo, estou com leituras atropeladas. Livros que parei no melhor da história e que temo não terminar de lê-los de autores que eu gosto -Fuguet, Cabrera Infante, Dostoievski, para citar apenas três – ou que eu tenho curiosidade de conhecê-los – como Gombrowicz – se acumulam ao meu redor. No meio desta Babel, inicio a leitura de O doutor passavento, de Vila-Matas. É a primeira vez que o leio. Lembro que já me caiu nas mãos um outro livro que creio era dele, mas que não dei bolas e agora me arrependo. E já ia solto na leitura quando resolvi ler Afirma Pereira, de Antonio Tabucchi, que havia ganho de aniversário. E vou me deixando seduzir pela leitura e fico rindo com algumas coincidências. Por exemplo, estava na Itália, onde se passa parte da história de O doutor passavento, mais precisamente na região de Nápoles. De volta ao Recife, por necessidade ou curiosidade profissional, começo a ler A morte e a morte de Quincas Berro d’Água, de Jorge Amado, e assim, em camadas de leituras atropeladas vou vivendo minha aventura literária. Pensando em histórias que poderia escrever, querendo dar continuidade às histórias que estou lendo, querendo voltar aos livros que ainda estão pelo caminho e outros ainda em silêncio no quarto abarrotado de livros, discos e quinquilharias.
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